A história do durão Duke nos jogos eletrônicos começou exatamente 20 anos atrás, em 1991, quando o primeiro Duke Nukem, dividido em três episódios, chegou às lojas em versão para computadores com sistema operacional DOS. Era um joguinho de ação e tiro em rolagem lateral bem no estilo de Contra.
O joguinho, aliás, era bem simples e realmente não oferecia nada além do que os clones de Contra já faziam muito bem. A continuação, Duke Nukem II (dezembro de 1993), teve vida ainda mais difícil, já que naquela época os jogadores de PC já estavam procurando por jogos mais complexos, como adventures e shooters em primeira pessoa.
Mas foi em 1996 que Duke ficou famoso de verdade: Duke Nukem 3D, para PC, era um shooter com palavrões, inúmeras referências à cultura pop da época e muitas piadas de gosto duvidoso, tudo com jogabilidade boa, design bem feito e inimigos que fugiam do velho estilo dos monstros e criaturas de Doom e Heretic. A expansão Atomic Edition, lançada no mesmo ano, trazia ainda mais fases para quem não tivesse se cansado dos mais de 30 níveis do game original.
O sucesso rendeu versões para console de Duke Nukem 3D, todas à partir de 1997. Duke Nukem: Total Meltdown saiu para PlayStation e contava com Duke Nukem 3D e mais seis fases inéditas. No Saturn, Duke Nukem 3D veio com motor gráfico refeito e possibilidade de jogatina online através do modem NetLink. Já o cartucho Duke Nukem 64, para Nintendo 64, não foi tão bem recebido por ter tido vários cortes nas referências e piadas sobre sexo e drogas, apesar dos bons gráficos e do divertido modo para quatro jogadores em tela dividida.
Em 1997, a série mudou de estilo novamente com Duke Nukem: Time to Kill, exclusivo do PlayStation. O game era em terceira pessoa, como Tomb Raider e Syphon Filter, e foi o primeiro da franquia a trazer gráficos totalmente poligonais, em vez dos velhos sprites do nível de Doom e Wolfenstein 3D. A fórmula deu certo, e o estilo de terceira pessoa permaneceu em Duke Nukem: Land of the Babes, também para PlayStation, e Duke Nukem: Zero Hour, para Nintendo 64.
Duke Nukem Forever
Em abril de 1997, a 3D Realms anunciou o ambicioso Duke Nukem Forever. O game, em primeira pessoa, seria o Duke Nukem "definitivo", com gráficos de última geração, física apurada e modo multiplayer repleto de opções. A companhia desembolsou meio milhão de dólares para licenciar o motor gráfico ID Tech 2 (o mesmo utilizado em Quake II).
Como o desenvolvimento do jogo estava atrasado e a engine foi tornando-se obsoleta, a 3D Realms gastou mais uma boa quantia para usar a moderna Unreal Engine. Um vídeo de uma versão preliminar de Duke Nukem Forever utilizando a Unreal Engine chegou a ser exibida na E3 de 1998 e impressionou bastante os jornalistas, com cenas de perseguição em veículos e boa interação com elementos do cenário, como árvores que caem ao serem alvejadas por foguetes e tudo mais.
A equipe de desenvolvimento atribuiu boa parte dos problemas ao produtor George Broussard, alegando que ele "queria implementar em Duke Forever qualquer elemento legal que ele via nos outros jogos". A publisher GT Interactive enfrentava problemas financeiros, foi vendida para a Infogrames e os direitor de Duke Forever foram negociados com uma distribuidora menor chamada Gathering, fundada em 1998 para procurar bons projetos de desenvolvedores independentes.
Duke Nukem Forever permaneceu sem novidades por três anos, quando um novo trailer foi exibido na E3 2001. Apesar do motor gráfico antigo, a demo impressionou pelos bons efeitos de luz e movimentos realistas dos personagens. Mas aí vieram mais problemas: a Gathering foi fechada e todas as suas licenças foram incorporadas pela Take-Two.
A pressão pela conclusão do game e a necessidade de utilização de uma nova engine mais moderna criaram um conflito interno entre a 3D Realms e a Take-Two. Muitos funcionários simplesmente desistiram do projeto e, em meados de 2003, apenas 18 pessoas trabalhavam na produção do game.
A mudança para a engine de Doom 3 ocorreu em 2004, mas pouca coisa nova apareceu. Um pequeno teaser divulgado em 2007 e um trailer maior, de 2008, deram uma luz a quem ainda tinha esperança de ver o game pronto, mas, em maio de 2009, foi tudo por água abaixo: a Take-Two mandou para a rua todo a equipe envolvida em Duke Forever e ainda processou a 3D Realms em 12 milhões de dólares pela não conclusão do game.
A poeira abaixou e o game já era considerado cancelado até pelo pessoal da Take-Two, mas a Gearbox (de Borderlands) adquiriu os direitos de Duke Nukem Forever.
O anúncio foi feito no evento Penny Arcade Expo, que rolou no final de 2010, com direito a demo jogável em avançado estado de desenvolvimento e tudo mais, com lançamento prometido para o ano seguinte.
Outras versões
Enquanto o mundo aguardava Duke Nukem Forever, aqui no Brasil a Tec-Toy se mexeu e foi atrás de "produzir" (porque na verdade era apenas um Zero Tolerance hackeado), em 1998, Duke Nukem 3D para Mega Drive. O game saiu em 1998, e, tirando os inimigos e o design das armas, nem de longe lembrava o Duke 3D original. Os cenários eram "chapados", quase sem texturas, apenas corredores. O cartucho gerou confusão porque aparentemente foi licenciado apenas pela distribuidora GT Interactive, sem autorização da 3D Realms.
Duke Nukem 3D também foi portado para o estranho portátil Game.Com, da Tiger Electronics. O console era pouco potente e tinha tela monocromática, mas o game era em primeira pessoa, como o original. Ainda entre os portáteis Duke Nukem, em 2D, chegou ao Game Boy Color em 1999. Uma versão com cortes de Duke Nukem 3D saiu três anos depois para Game Boy Advance.
Recentemente, Duke Nukem 3D foi disponibilizado na rede Xbox Live Arcade do Xbox 360, que também recebeu Duke Nukem: Manhattan Project, port do jogo homônimo de 2002 e que trazia ação em rolagem lateral parecida com a dos dois primeiros Duke Nukem.
Mas ports e versões refeitas de jogos antigos não são nada perto do que estar por vir: Duke Nukem Forever vai mesmo sair, em versões para PS3, Xbox 360 e PC e com todas as piadas e violência que o velho Duke merece. Estaremos de olho para conferir se a espera valeu mesmo.
Nossa muita gente desistiu desse game, e até o esqueceu. Mais eu ainda o espero!
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