No currículo, o inglês Peter Gwinnell disse que havia cursado as universidades de Oxford e Harvard e só foi pego após um mês de trabalho e viagens de primeira classe
Peter Gwinnell, vice-presidente de um banco de investimentos por um mês: salário de mais de R$ 40 mil e viagens ao Oriente Médio
Munido de um currículo falso e muita cara de pau, um homem conseguiu um emprego com salário de quase R$ 500 mil ao ano – e só foi pego depois de ter feito viagens ao Oriente Médio para falar com investidores. Diante da justiça, ele foi condenado a 50 semanas de prisão por fraude.
O inglês Peter Gwinnell, de 49 anos, colocou um currículo na internet, em que afirmava ter se formado nas prestigiosas universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Harvard, nos Estados Unidos. Dizia ainda que tinha trabalhado durante 20 anos no banco de investimento JP Morgan.
O currículo – completamente inventado – parecia tão bom que atraiu a atenção dos headhunters do banco de investimento Connaught, o mesmo que cuida das finanças da Rainha Elizabeth II, que o colocaram em contato com a empresa Ahli United Bank, que procurava um vice-presidente.
Gwinnell conseguiu incorporar tão bem o papel de alto executivo que o diretor do banco decidiu lhe dar o emprego, uma semana após a entrevista.
Durante um mês, o falso executivo representou o Ahli United Bank em viagens para o Oriente Médio e nos contatos com clientes milionários. Somente nesse período, ele ganhou um salário equivalente a R$ 41 mil.
Somente quando o banco decidiu contratar uma empresa para checar seu currículo é que perceberam que a história era uma farsa. Na verdade, Peter Gwinnell é um salafrário condenado, que havia passado seis meses na prisão nos anos 90.
O falso executivo agora está sendo julgado por seu crime. Na primeira audiência, nesta segunda-feira, o juiz o sentenciou a 50 semanas na prisão, mas suspendeu a ordem por um ano e meio, após ele ter admitido sua culpa. Gwinnell já passou 12 semanas sob custódia e está sofrendo de depressão profunda. Mas o juiz foi duro em um ponto: Gwinnell não pode colocar seu currículo na internet sem autorização da justiça.
A sentença fica suspensa até junho do próximo ano, quando o falso executivo terá de se submeter a uma nova audiência - que decidirá se ele deve ou não ir para a cadeia. Até lá, ele terá de cumprir 100 horas de trabalho comunitário e ficará 18 meses sob supervisão de um oficial de justiça, enquanto faz tratamento para a depressão.
O falso CEO foi desmascarado quando a empresa Control Risks ligou para a Universidade de Oxford e descobriu, para sua surpresa, que ele nunca sequer havia passado perto de frequentar um de seus cursos. A mesma resposta veio da Universidade de Harvard e, claro, muito menos do JP Morgan.
A fraude custou ao Ahli United Bank cerca de R$ 80 mil, incluindo salários, despesas com hotéis e voos e comissões para o Connaught.
Mesmo após ser desmascarado pelo banco, Peter Gwinnell ainda enviou seu currículo para um banco suíço, mas sob pressão da polícia, teve de retirar seu pedido.
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